SKIES

Ciclo Novas Bacantes

Um Projeto para Lara Guidetti

Ficha Técnica e Artística

Textos Originais: Eurípides
Direção, Encenação e Escrita: João Garcia Miguel
Interpretação e Coreografia: Lara Guidetti
Música Original: Sara Ribeiro
Direção Técnica e de Luz: João Garcia Miguel
Direção de Som: Cristovao Faria Carvalho
Direção de Produção: Raquel Matos
Produção Itália: Fabio Ferretti
Comunicação: Alcina Monteiro
Fotografia, Vídeo e Design: Tyrone Ormsby

Technical and Artistic List

Original texts: The Bacchae Eurípidess
Direction, Staging, Writting: João Garcia Miguel
Interpretation & Choreography: Lara Guidetti
Original Music: Sara Ribeiro
Technical & Lighting Direction: João Garcia Miguel
Direction of Sound: Cristovao Faria Carvalho
Italian Producer: Fabio Ferretti
Executive Producer: Raquel Matos
Design, Photography, Video: Tyrone Ormsby
Communication: Alcina Monteiro

Co Produção

Teatro-Cine de Torres Vedras, Teatro Ibérico, Centro Cultural Vila Flor, Centro Cultural de Ílhavo, Sanpapié

Coproduction

Teatro-Cine de Torres Vedras, Teatro Ibérico, Centro Cultural Vila Flor, Centro Cultural de Ílhavo, Sanpapié

Apoios

Governo de Portugal | Direção Geral das Artes

Supports

Governo de Portugal | Direção Geral das Artes
Servirmo-nos de um texto clássico é como sermos empurrados a espreitar a nossa alma quando ela adormece. Usar um texto clássico é um exercício de mistério e procura sobre o que nos escapa e arrebata. É uma prática de superação e de transformação sobre o que desconhecemos. No texto As Bacantes de Eurípides sentimos que se levantavam tantas interrogações e possibilidades de resposta, que uma apropriação do texto de modo tradicional nos fez sentir que estaríamos a mergulhar numa limitação inconsolável. No percurso da companhia a busca de uma diferença, uma singularidade, acompanha cada nova criação.

Arrebatados pelas Bacantes procurámos um modelo de abordagem com várias vias secundárias que contivessem em si os tempos antigos e os dias de hoje; as questões do corpo e do inconsciente; o corpo enquanto objeto poético e as suas componentes de animalidade; o corpo do artista e o corpo do espectador; o impulso sobre o confronto que pudesse ultrapassar o êxtase da leitura, do olhar silencioso, do obstáculo de um tempo único. Assim, acabámos por construir um espectáculo que contém em si quatro experiências a solo. Quatro visões sobre as Bacantes, que são no fundo quatro objetos artísticos apresentados a solo, com uma atriz, um ator, uma performer e uma bailarina. Como um puzzle o espectador pode construir a sua perspectiva a partir de um destes solos sobre as Bacantes. Ciclo Novas Bacantes, é o nome que une todas as partes, os quatro olhares em torno da obra de Eurípides.

Arrebatados pelas bacantes acabámos também arrebatados pelo feminino e pelas suas manifestações de morte e renascimento. Para Lara Guidetti, João Garcia Miguel criou um solo sobre a morte e o renascimento da Deusa que mora em cada ser vivo. Uma abordagem ás Bacantes sobre o ponto de vista de quem dança. A Deusa que pode inspirar, libertar e despertar nos homens e nas mulheres, aqui se move e manifesta entre quatro paisagens: Mulher, água, pássaro e céu. Lara Guidetti dança a metamorfose da Deusa presente, o corpo de uma bailarina que nos permite aceder ao símbolo, ao profundo transformador. Abordamos o indecifrável presente no texto através de metáforas que o corpo arquitecta. O corpo é um Deus de muitas faces, tem atributos e possibilidades narrativas excêntricas. O corpo detém uma singularidade narrativa que se conecta directamente com o osso, o músculo, a pulsão. Obriga a uma arquitectura da realidade que a excede e contrasta. O centro do texto de Euripides é o interdito do corpo e os seus ilimitados poderes de transpor o espaço e accionar fogueiras. É sobre o poder incendiário do corpo e a clareza do olhar que o sustenta que se fundará a investigação deste processo criativo. Tornar o corpo texto e dá-lo a ler a outros
corpos.
To serve ourselves a classical text is like being pushed to peek into our soul when it is asleep. Using a classical text is an exercise of mystery and a search for what escapes and snatches us. It is a practice of suppuration and transformation over what we do not know. In the text Bacchae from Euripides we feel that many questions and possibilities for answer are aroused, that an appropriation of the text in a traditional way made us feel like we would be diving into a inconsolable limitation. The course of the company, the search for a difference, a singularity, accompanies each new creation.

Rapt by Bacchae we searched for a model of approachment with several secondary paths that would contain the ancient times and the modern day. That would contain the questions of the body and of the unconsciousness. That would contain the body as a poetic object and it’s animalistic components. That would approach the body of the artist and the body of the viewer by impulsing a confrontation that overcomes the ecstasy of the reading, of the silent eye, of the obstacle of a unique time. So, we have ended up building a show that contains in it self four solo experiences. Four visions over Bacchae, that deeply are four artistic objects presented solo, with an actress, an actor, a performer and a dancer. Like a puzzle the viewer can build their own perspective from any one of the solos about Bacchae. Ciclo Novas Bacantes (New Bacchae Cycle) is the name that unites all parts, the four visions around Euripides work.

Raptured by Bachae we also ended up raptured by the feminine and it’s manifestations of death and rebirth. For Lara Guidetti, João Garcia Miguel created a solo about the death and the rebirth of the Goddess that lives in each being. An approach to the Bacchae from the point of view of one who dances. The Goddess that can inspire, liberate and awake, in men and women, that moves and manifests it self between four landscapes: Women, water, bird and sky. Lara Guidetti dances the metamorphose of the present Goddess, the body of a dancer that allows us access to the symbol, the transformative depth. We approach the indecipherable present in the text through metaphors that the body architects. The body is a God of many faces, it has eccentric narrative attributes and possibilities. The body detains a singular narrative that connects directly with the bone, the muscle, the pulse. It obliges an architecture of reality that exceeds and contrasts itself. The centre of Euripides text is the interdiction of the body and and it’s ill-timed powers of transposing the space and actuating fires. It is about the incendiary power of the body and the clarity of looking that sustains it that will be found in the investigation of this creative process. To make the body become text and give it to other bodies to be read.