Passos em Volta

textos originais de Herberto Hélder

adaptação, encenação e espaço cénico de João Garcia Miguel

Ficha Técnica e Artística

Textos Originais: Herberto Hélder
Adaptação, Direção e Espaço Cénico: João Garcia Miguel
Interpretação: João Lagarto, David Pereira Bastos, Duarte Melo, Lara Guidetti ou Beatriz Godinho
Banda Sonora: Alberto Lopes
Assistência à Encenação: Rita Costa
Figurinos: Rute Osório de Castro
Direção Técnica: Roger Madureira
Direção de Produção: Georgina Pires
Fotografia: Mário Campos Rainha
Imagem e Comunicação: Joana Júdice
Assessoria de Imprensa: Alcina Monteiro
Apoio Técnico: AUDEX

Technical and Artistic List

Original Text: Herberto Hélder
Director, Scenic Space & Text: João Garcia Miguel
Cast: João Lagarto, David Pereira Bastos, Duarte Melo, Lara Guidetti ou Beatriz Godinho
Soundtrack: Alberto Lopes
Direction Assistant: Rita Costa
Costumes: Rute Osório de Castro
Technical Director: Roger Madureira
Production Director: Georgina Pires
Images & Promotion: Mário Campos Rainha
Image & Communication: Joana Júdice
Press Assessor: Alcina Monteiro
Technical Support: AUDEX

Co Produção

Companhia João Garcia Miguel | Teatro Ibérico | DGARTES | Governo de Portugal | Junta de Freguesia do Beato | IEFP

Coproduction

Companhia João Garcia Miguel | Teatro Ibérico | DGARTES | Governo de Portugal | Junta de Freguesia do Beato | IEFP

Parceiros

Centro Cultural Vila Flor e Festivais Gil Vicente, Teatro Aveirense, Teatro-Cine de Torres Vedras, TM Porto

Partners

Centro Cultural Vila Flor e Festivais Gil Vicente, Teatro Aveirense, Teatro-Cine de Torres Vedras, TM Porto
A partir da obra Passos em Volta de Herberto Hélder pretendemos pensar a história de um poeta e de um país que faz parte de um continente em extinção: a Europa tal como a conhecemos. É também um espetáculo sobre o teatro e aqueles que dedicam a sua vida à poesia feita através dos seus corpos. Partindo do conjunto de textos agrupados na obra homónima do autor, iremos incluir no trabalho criativo, um conjunto de outros poemas e excertos biográficos do poeta. A estreia ocorrerá no segundo trimestre de 2019, seguindo depois para itinerância nacional e internacional. A realização do espetáculo vai conjugar-se com workshops de captação de potenciais atores onde a construção da peça será discutida e em parte delineada. Este aspeto criativo que fará alastrar o estudo e reflexão sobre a importância da obra poética com os “dias de hoje”. Vamos procurar construir um estúdio poético onde a obra de arte e as suas relações com o mundo serão abordadas. A ideia é fazer estas conversas serem colocadas online e fazerem parte da construção cénica ou pelo menos influenciá-la.
Os textos de Herberto Hélder são um pretexto para a perceção de um eu que tem um corpo, que sente, que procura Deus, o amor, que busca transcender-se. E espreitar-se. É um caso especial de biografia que desafia a perspetiva moral com que nos vemos, com que revestimos natural e repetidamente as nossas cicatrizes, como se os hábitos de vida, de linguagem, de gestos nos defendessem de nós mesmos. As palavras funcionam aqui como passos em volta, como olhares que nos fazem tremer, como raios incisivos que assustam e atraem. Há tantas frases, tantas palavras, que afrontá-los é uma viagem antiga, uma dança de cadeiras e mesas de pernas partidas. Transcrevo uma citação de um desses contos, pela teatralidade que encerra, exemplo das inúmeras entradas e saídas de cena. Os comboios que vão para Antuérpia fala de uma árvore esquisita, do amor e da sua capacidade de nos abrir o coração aos homens e desse sentimento de desespero difuso de alguém que luta num corpo fechado por se libertar em direção à luz. Fala desse olhar de dentro para fora e do seu reflexo de novo a caminhar para dentro. Ou talvez seja do seu inverso, o olhar para dentro a caminhar desesperado para fora, na procura de um ramo para pousar tal pássaro inquieto e esquisito também. Esses corpos em forma de comboio que estão em luta com o deus que existe dentro deles, do seu corpo em linhas paralelas e da vida que vive no brilho do metal que atrai o olho e o faz sufocar e escrever. A importância da sua obra, as qualidades poéticas, o desejo de se esconder e revelar através da poesia, tudo será utilizado para a construção destas duas etapas: conferência performance e espetáculo. Vamos invocar vários temas importantes para nós e questionar os modos de fazer. Vamos usar as palavras e o dizer, os sentidos e a poesia que anseia pelo paradoxo do amor que desespera de amar. Vamos agarrar-nos a invisível naquilo que tem de mais durável, de permanente, pois o visível está em permanente mudança e de facto, não nos traz nem satisfação nem confiança. Na conferência performance vamos usar o por dentro das palavras e questionar o que nos liga. No espetáculo vamos em busca da coragem de dizer e fazer acontecer o vivo que se manifesta por dentro e por fora da poesia.
From the work Passos en Volta by Herberto Hélder we intend to think the history of a poet and a country that is part of a continent in extinction: Europe as we know it. It is also a show about the theater and those who devote their lives to the poetry made through their bodies. Starting from the set of texts grouped in the author's homonymous work, we will include in the creative work, a set of other poems and biographical excerpts of the poet.
The premiere will take place in the second quarter of 2019, followed by national and international roaming. The performance of the show will be combined with workshops to capture potential actors where the construction of the play will be discussed and in part outlined. This creative aspect that will spread the study and reflection on the importance of the poetic work with the "today".
Let us seek to construct a poetic studio where the work of art and its relations with the world will be approached. The idea is to have these conversations put online and be part of the scenic building or at least influence it.
The texts of Herbert Hélder are a pretext for the perception of a self that has a body that feels, that seeks God, love, that seeks to transcend. And lurk. It is a special case of biography that defies the moral perspective with which we see ourselves, with which we naturally and repeatedly cover our scars, as if the habits of life, language, and gestures defend us from ourselves. Words work here as steps around, like looks that make us tremble, like incisive rays that scare and attract. There are so many phrases, so many words, that to confront them is an old trip, a dance of chairs and tables of broken legs. I transcribe a quotation from one of these tales, for the theatricality it contains, an example of innumerable entries and exits.
The trains that go to Antwerp speak of a strange tree, of love and its ability to open our hearts to men and that sense of diffuse despair of someone who fights in a closed body for releasing towards the light.
It speaks of this look from the inside out and of its reflection again to walk inwards. Or maybe it's your turn, the inside look at the desperate walk out, in search of a branch to land such a restless and freaky bird as well.
These train-shaped bodies are struggling with the god within them, their body in parallel lines, and the life that lives in the gleam of metal that attracts the eye and causes it to suffocate and to write.
The importance of his work, the poetic qualities, the desire to hide and reveal through poetry, everything will be used for the construction of these two stages: conference performance and show.
Let us invoke several important themes for ourselves and question ways of doing it. Let us use the words and the words, the senses and the poetry that longs for the paradox of love that despairs of loving. Let us cling to the invisible in the most durable, permanent, because the visible is constantly changing and in fact, brings us neither satisfaction nor confidence.
In performance conference we will use the inside of the words and question what binds us. In the show we go in search of the courage to say and make happen the living that manifests inside and out of poetry.