Nós Matámos o Cão Tinhoso

Ondas Africanas | African Waves

We Killed the Mangy Dog

Ficha Técnica e Artística

Direção e encenação: João Garcia Miguel
Assistente de encenação: Rita Costa
Atores e co-criadores: Sara Ribeiro e Frederico Barata
Música: Ricardo Martins e Joana Guerra
Espaço cénico: João Garcia Miguel
Figurinos: Sara Ribeiro and João Garcia Miguel
Assistente de cenografia: Rita Prata
Execução do objeto cénico: António Cinzas
Apoio técnico à cenografia: Rui Viola
Direção de luz: Luís Bombico
Direção de som: Manuel Chambel
Produtora executiva: Raquel Matos
Assessoria de imprensa: Alcina Monteiro e Joana Rosa
Comunicação: Alcina Monteiro e Sara Ribeiro
Fotografia, vídeo e design: João Catarino
Gestor de projeto: Tiago da Camara Pereira

Technical and Artistic List

Direction and play-acting: João Garcia Miguel
Staging assistant: Rita Costa
Actors and co-creators: Sara Ribeiro and Frederico Barata
Musicians: Ricardo Martins and Joana Guerra
Scenography: João Garcia Miguel
Costumes: Sara Ribeiro and João Garcia Miguel
Scenography assistant: Rita Prata
Execution of the scenic object: António Cinzas
Technical support to scenography: Rui Viola
Light direction: Luís Bombico
Sound direction: Manuel Chambel
Executive production: Raquel Matos
Press consultancy: Alcina Monteiro and Joana Rosa
Communication: Alcina Monteiro and Sara Ribeiro
Photography, video and design: João Catarino
Project manager: Tiago da Camara Pereira

Co Produção

Teatro Cine de Torres Vedras, Câmara Municipal de Torres Vedras, A Oficina, Centro Cultural Vila Flor, Centro Cultural de Ílhavo, Teatro Ibérico, Anim'art, Globo Dikulu, DGArtes, Governo de Portugal, Câmara Municipal de Lisboa, IEFP e Junta de Freguesia do Beato

Coproduction

Teatro Cine de Torres Vedras, Câmara Municipal de Torres Vedras, A Oficina, Centro Cultural Vila Flor, Centro Cultural de Ílhavo, Teatro Ibérico, Anim'art, Globo Dikulu, DGArtes, Governo de Portugal, Câmara Municipal de Lisboa, IEFP and Junta de Freguesia do Beato

Apoios

AUDEX, Cine Teatro Louletano, Câmara Municipal de Loulé, Rui Viola Produções, Companhia Olga Roriz

Supports

AUDEX, Cine Teatro Louletano, Câmara Municipal de Loulé, Rui Viola Produções, Companhia Olga Roriz

Parceiros

Agenda Cultural de Lisboa, Aldina Jesus, Alexandre Mira, Amadeu Garcia dos Santos, Andreia Abreu, Andreia Novais, Antena 3, António Luís Santos, Atelier Re.al, Audex, Caçador, Câmara Municipal de Lisboa, Claudia Chambel, Companhia Olga Roriz, Félix Lozano, Gazeta dos Artista, Gil Dionísio, Hélio Falcão, Janelas Verdes, João Aidos, João Costa Dias, João Fiadeiro, João Marques, Joaquim Pena, Jornal I, José Bastos, José Patacão, José Pina, Junta de Freguesia do Beato, Lara Carrasquinho, Leonor Clara, lightSet, Luís Bernardo Honwana, Mafalda Matos, Maria Antónia, Maria Ramos Silva, Miguel Borges, Miguel Branco, Orlando Domingues, Orlando Domingues, Patrícia Faustino, Paulo Filipe Monteiro, Pedro e Luísa Matos, Pedro, Garcia dos Santos, Raquel Amado, Raquel Veloso, Renato Ferracini, RTP, Rui Torrinha, Rui Viola, Rute Alegria, Sérgio Coragem, Sinara, Sofia Leita, Teresa Varela, TicketLine, Tribo da Terra, Tyrone Ormsby, Vanda Rodrigues, Viral Agenda and Visão

Partners

Agenda Cultural de Lisboa, Aldina Jesus, Alexandre Mira, Amadeu Garcia dos Santos, Andreia Abreu, Andreia Novais, Antena 3, António Luís Santos, Atelier Re.al, Audex, Caçador, Câmara Municipal de Lisboa, Claudia Chambel, Companhia Olga Roriz, Félix Lozano, Gazeta dos Artista, Gil Dionísio, Hélio Falcão, Janelas Verdes, João Aidos, João Costa Dias, João Fiadeiro, João Marques, Joaquim Pena, Jornal I, José Bastos, José Patacão, José Pina, Junta de Freguesia do Beato, Lara Carrasquinho, Leonor Clara, lightSet, Luís Bernardo Honwana, Mafalda Matos, Maria Antónia, Maria Ramos Silva, Miguel Borges, Miguel Branco, Orlando Domingues, Orlando Domingues, Patrícia Faustino, Paulo Filipe Monteiro, Pedro e Luísa Matos, Pedro, Garcia dos Santos, Raquel Amado, Raquel Veloso, Renato Ferracini, RTP, Rui Torrinha, Rui Viola, Rute Alegria, Sérgio Coragem, Sinara, Sofia Leita, Teresa Varela, TicketLine, Tribo da Terra, Tyrone Ormsby, Vanda Rodrigues, Viral Agenda and Visão
Ondas Africanas é um projeto sobre o que nos une: portugueses e africanos e “sobre coisas que, acontecendo à minha volta, relacionem intimamente comigo ou traduzam factos que me pareçam decentes.” 1. Essa tarefa de observar, escutar, absorver e devolver depois aos outros o que é oferecido pelos mundos exteriores e interiores numa imperfeita alquimia de transformação é uma ambição que nos assalta e alimenta a permanente interrogação sobre o papel das artes e dos artistas nas sociedades contemporâneas. África é, por isso, também a nossa mãe como algures se escuta e se diz em canção. Sentimos uma profunda necessidade de desafiar a nossa circunstância e a humanidade que nos sustenta. Necessitamos de enfrentar os desequilíbrios que nos impedem de estar próximos das almas de que somos feitos. Precisamos de alma como de pão. Deste modo nasceu este projeto que é um misto de formação e criação. Formação do ser que está atento às suas metáforas e narrativas próprias e que tem em si o impulso de as partilhar. Criação que é aprendizagem conjunta. A mecânica do projeto é simples e baseia-se no trabalho combinado entre atores, músicos e artistas visuais africanos e portugueses. Com eles vamos partilhar um período de formação que terá por base o livro de contos de Luís Bernardo Honwana, Nós Matámos o Cão Tinhoso. A partir destes contos surgirá uma peça que ficará em Angola, a qual se seguirá à peça realizada em Portugal por atores e artistas portugueses e que, neste momento, se apresenta no Teatro Ibérico. Os dois objetos viverão como irmãos: ligados entre si mas também de modos autónomos. Viajaremos para Angola em Dezembro para apresentar o resultado do nosso trabalho, estreado em Guimarães, no passado dia 7 de Outubro. Em Angola serão realizadas entre três a cinco oficinas de formação e ensaios, entre Luanda e as províncias de Benguela, Kwanza Norte e Sul e Huambo. Contamos com a parceria da Associação Globo Dikulu, do Animarte do Cazenga e do grupo de Teatro Horizonte Njinga Mbande. A peça portuguesa é agora apresentada em Portugal, contudo, quando chegarmos a Angola, esta nossa versão irá ser de novo trabalhada de modo a poder envolver elementos locais. A impressiva luz crua dos contos de Honwana voga entre a realidade exterior apercebida e a fluidez macia dos movimentos de uma interioridade implicada e atenta. As narrativas africanas têm em si a força de uma inocência que nos impele a viajar de novo, uma e outra vez, às fontes de onde brotámos. Somos África, somos Europa, somos animais “antihumanos”. Nessa inocência africana está contida toda a delicada beleza do mundo como também a crueldade e maldade da natureza humana. As suas histórias permitem que subamos degraus de fantasia e falácia e que através de técnicas ancestrais de espreitar o ser nos vermos a dobrar. Dobrar sobre nós mesmos e a dobrar os joelhos de vergonha e compaixão. Contêm fortes e bem claras metáforas que nos auxiliam a caminhar de mãos dadas enfrentando os monstros e temores dos moinhos de vento de que somos feitos. Esta literatura é um exercício social de coragem que há muito parece esquecido entre nós. É uma literatura com uma forte componente pedagógico. Esta literatura enforma um ser coletivo que nos torna claro que a queda da Torre de Babel não se deveu à existência de muitos seres com muitas linguagens diferentes mas caiu, sim, porque o medo invadiu os corações fechados que pararam de bater em face das alturas que se lhes antepunham. Estando juntos poderemos subir mais alto e cada vez mais, até aos céus.
Estar junto é mais difícil do que estar sozinho.
Talvez seja o que nos segue aprender.
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1 Luís Bernardo Honwana in “Prefácio à primeira edição de Nós matámos o Cão-Tinhoso.”
African Waves is a project about what brings us together: Portuguese and African and “about things that, happening around us, closely relate to me or translate facts that I deem decent.”1 This task of observing, listening, absorbing and giving back to others what is given by the outside and inside worlds in an imperfect alchemy of transformation is an ambition that assails us and feeds us with a permanent question about the role of the arts and artists in contemporary societies. Africa is, therefore, also our mother as can be listened or said in songs.
We feel a deep necessity of challenging our condition and the humanity that sustains us. We need to challenge the disequilibrium that keeps us from being close to the souls of which we are made of. We need souls as much as we need bread. And so began this project, which lies in between training and creation. A training of the being that is aware of his own metaphors and stories and wants to share them. Creation as a process of common learning.
The mechanics of the project are simple and based on the combined work of African and Portuguese actors, musicians and visual artists.
Using Luís Bernardo Honwana’s book of short stories We Killed the Mangy Dog, we will have a period of time for training with all these professionals. From these short stories we will create a show in Angola, which follows the Portuguese creation that is now being presented at Teatro Ibérico. These two objects will go on as brothers: connected but also autonomous. We will travel to Angola in December to present the result of our work, whose premiere was in Guimarães on October 7.
In Angola we will organize three to five workshops and rehearsals, in Luanda, Benguela province, South and North Kwanza and Huambo. We rely on partnerships with Associação Globo Dikulu, Animarte do Cazenga and the theatre group Teatro Horizonte Njinga Mbande. The portuguese play is now being presented in Portugal, however, upon arriving in Angola, it will be reworked, in order to incorporate local elements. The impressive raw light of Honwana’s stories flows between the outer perceived reality and the smooth movements of the implied awakened innerness. The African stories have the strength of innocence that impels us to travel again, and again, and again and to search for the sources of which we are made of. We are Africa, we are Europe, we are “anti-human” animals. This African innocence contains all the delicate beauty of the world, as well as the cruelty and evilness of human nature. Its stories allow us to transpose fantasy and fallacies and, through ancestral techniques, look upon our selves and see us bending on that movement of looking. Bending over our selves and bending our knees out of shame and compassion. There are some strong and clear metaphors that help walk hand-in-hand, facing the windmills’ monsters and fears of ourselves.
This literature is a social exercise of bravery that seems to have been lost a long time ago.
It’s a literature with a strong educational component.
This literature endorses a collective being that clearly shows us that the fall of Babel’s Tower was not about the existence of too many people with too many different languages, but rather because fear invaded frozen closed hearts that stopped beating when faced with the heights before them.
Together we can go higher and higher, until we reach the skies.
Being together is harder than being alone.
This is, perhaps, what we must learn now.
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1 Luís Bernardo Honwana in “Prefácio à primeira edição de Nós matámos o Cão-Tinhoso.”