Sinopse     

Ondas Africanas é um projeto sobre o que nos une: portugueses e africanos e “sobre coisas que, acontecendo à minha volta, relacionem intimamente comigo ou traduzam factos que me pareçam decentes.”

1. Essa tarefa de observar, escutar, absorver e devolver depois aos outros o que é oferecido pelos mundos exteriores e interiores numa imperfeita alquimia de transformação é uma ambição que nos assalta e alimenta a permanente interrogação sobre o papel das artes e dos artistas nas sociedades contemporâneas. África é, por isso, também a nossa mãe como algures se escuta e se diz em canção. Sentimos uma profunda necessidade de desafiar a nossa circunstância e a humanidade que nos sustenta. Necessitamos de enfrentar os desequilíbrios que nos impedem de estar próximos das almas de que somos feitos. Precisamos de alma como de pão. Deste modo nasceu este projeto que é um misto de formação e criação. Formação do ser que está atento às suas metáforas e narrativas próprias e que tem em si o impulso de as partilhar. Criação que é aprendizagem conjunta. A mecânica do projeto é simples e baseia-se no trabalho combinado entre atores, músicos e artistas visuais africanos e portugueses. Com eles vamos partilhar um período de formação que terá por base o livro de contos de Luís Bernardo Honwana, Nós Matámos o Cão Tinhoso. A partir destes contos surgirá uma peça que ficará em Angola, a qual se seguirá à peça realizada em Portugal por atores e artistas portugueses e que, neste momento, se apresenta no Teatro Ibérico. Os dois objetos viverão como irmãos: ligados entre si mas também de modos autónomos. Viajaremos para Angola em Dezembro para apresentar o resultado do nosso trabalho, estreado em Guimarães, no passado dia 7 de Outubro. Em Angola serão realizadas entre três a cinco oficinas de formação e ensaios, entre Luanda e as províncias de Benguela, Kwanza Norte e Sul e Huambo. Contamos com a parceria da Associação Globo Dikulu, do Animarte do Cazenga e do grupo de Teatro Horizonte Njinga Mbande. A peça portuguesa é agora apresentada em Portugal, contudo, quando chegarmos a Angola, esta nossa versão irá ser de novo trabalhada de modo a poder envolver elementos locais. A impressiva luz crua dos contos de Honwana voga entre a realidade exterior apercebida e a fluidez macia dos movimentos de uma interioridade implicada e atenta. As narrativas africanas têm em si a força de uma inocência que nos impele a viajar de novo, uma e outra vez, às fontes de onde brotámos. Somos África, somos Europa, somos animais “antihumanos”. Nessa inocência africana está contida toda a delicada beleza do mundo como também a crueldade e maldade da natureza humana. As suas histórias permitem que subamos degraus de fantasia e falácia e que através de técnicas ancestrais de espreitar o ser nos vermos a dobrar. Dobrar sobre nós mesmos e a dobrar os joelhos de vergonha e compaixão. Contêm fortes e bem claras metáforas que nos auxiliam a caminhar de mãos dadas enfrentando os monstros e temores dos moinhos de vento de que somos feitos. Esta literatura é um exercício social de coragem que há muito parece esquecido entre nós. É uma literatura com uma forte componente pedagógico. Esta literatura enforma um ser coletivo que nos torna claro que a queda da Torre de Babel não se deveu à existência de muitos seres com muitas linguagens diferentes mas caiu, sim, porque o medo invadiu os corações fechados que pararam de bater em face das alturas que se lhes antepunham. Estando juntos poderemos subir mais alto e cada vez mais, até aos céus.
Estar junto é mais difícil do que estar sozinho.
Talvez seja o que nos segue aprender.

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA

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CRÉDITOS

jgm – joão garcia miguel
Rua Carlos Mardel 113 R/C Dto – 1900-121 Lisboa, Portugal
tlm: +351 933 327 229
georgina@joaogarciamiguel.comjoaogarciamiguel.com

FICHA TÉCNICA E ARTÍSTICA​

Direção e encenação: João Garcia Miguel
Assistente de encenação: Rita Costa
Atores e co-criadores: Sara Ribeiro e Frederico Barata ou David Pereira Bastos
Música: Ricardo Martins e Joana Guerra
Espaço cénico: João Garcia Miguel
Figurinos: Sara Ribeiro and João Garcia Miguel
Assistente de cenografia: Rita Prata
Execução do objeto cénico: António Cinzas
Apoio técnico à cenografia: Rui Viola
Direção de luz: Luís Bombico
Direção de som: Manuel Chambel
Produtora executiva: Raquel Matos
Assessoria de imprensa: Alcina Monteiro e Joana Rosa
Comunicação: Alcina Monteiro e Sara Ribeiro
Fotografia, vídeo e design: João Catarino
Gestor de projeto: Tiago da Camara Pereira

co-Produção

Teatro Cine de Torres Vedras, Câmara Municipal de Torres Vedras, A Oficina, Centro Cultural Vila Flor, Centro Cultural de Ílhavo, Teatro Ibérico, Anim’art, Globo Dikulu, DGArtes, Governo de Portugal, Câmara Municipal de Lisboa, IEFP e Junta de Freguesia do Beato

Financiamento

A Companhia João Garcia Miguel tem o apoio do Ministério da Cultura, da Secretaria de Estado da Cultura e da Direcção Geral das Artes

APOIOS

AUDEX, Cine Teatro Louletano, Câmara Municipal de Loulé, Rui Viola Produções, Companhia Olga Roriz